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MateusFernandes   MateusFernandes Mateus Fernandes's TIGblog
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Série "Fragmentos" - 12

Sobre o amar e o conceder

(...)
Se eu tivesse que lhe dizer uma coisa que passa pelo meu coração agora, eu diria: não abra mão você mesma para estar comigo.

Mas, como meu coração tem duas cavidades, na outra cabe também a sensação de que seria prudente e sincero abrir mão de quem você acha que é para saber quem "realmente" você é, e no que possivelmente você pode se transformar.

Um poeta já me disse que, para se conhecer a si mesmo e conhecer o que acontece consigo: "É preciso dormir em si para acordar no outro".

No fim da contas, e de alguns contos de amor, as concessões são parte inexorável do ato de amar.
(...)

Sobre o amar e as transferências

(...)
"E deste medo, e desta angústia, e deste perigo de ultra-ser; não se pode fugir, não se pode fugir, não se pode fugir".

Amor, seja ele como for - bonito, doentio, sofrido, leve, amargo, poético, profético, lunático, platônico, tântrico, pueril, fugas, vigoroso, gostoso -, ao que me parece, causa uma certa (que não é precisa, de modo algum) angústia.

(O amor) É um sentimento interno, pessoal e intransferível, que, necessariamente, sentimos por outra pessoa - ainda que ele (o amor) esteja sempre dentro de nós e que nunca seja, completa e infinitamente, transferido para a outra pessoa.
(...)

Sobre o amar e o som do a-mar

(...)
Há desejos que não se pode viver e há vidas que não se pode desejar...fora isso, a um infinito universo de possibilidades a explorar, numa finita vida inexplorável!

E isso me encanta - não me torno um devoto, porque não é profissão de fé, mas me encanto - porque é um canto interior que vibra em mim.

(outra etimologia bonita é a da palavra "pessoa" - per-sonare: soar por dentro, som que existe entre (os seres))
(...)

November 22, 2008 | 9:18 PM Comments  0 comments

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MateusFernandes   MateusFernandes Mateus Fernandes's TIGblog
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Série "Fragmentos" - 11

Sobre o Adorar e a Impermanência

(...)
Toda adoração tem um pouco de fé, de uma certa esperança cega que nos move em caminhos desconhecidos e, talvez por isso, excitantes.

Não sei se "adoro" ver as pessoas, porque quando as re-vejo, a cada nova vez, percebo o quanto elas mudaram; o quanto estamos mudando. E, como age aquela pessoa que tem fé, ao ver seu objeto de fé mudar a cada dia, sinto-me menos crente.

Por outro lado, ao ser menos crente, já que as pessoas são, aos meus olhos, cada vez menos "fidedignas" (dignas de fé - o que equivaleria dizer "mais mundanas e reais"), sinto-me mais próximo do humano que há em nós - do feio e do bonito do humano que há em nós.

E, no fim disso tudo, até que termino com um sorriso no rosto, daquele tipo de sorriso que aparece quando nós nos "desencantamos" com o mundo por perceber que ele, realmente, não é "encantado". Ele é real, forte, presente e belo.

É de beleza, e não de encantamento, que quero preencher os dias - e as noites.

E, de alguma forma estranha e passageira, algumas pessoas apontam coisas bonitas do mundo - apontam, por exemplo, que o mundo muda.
(...)

Crédito da Foto: Clique aqui se realmente quiser saber

November 20, 2008 | 10:53 AM Comments  0 comments

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carlinha   carlinha Carla Cristina Hirata Miyasaka's TIGblog
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Romance

Qual é o tamanho do sofrimento que o amor suporta, aceita, exige?

O que acontece quando o sofrimento dos mocinhos do filme parece ser menor e mais passageiro que o seu?

Acho que filmes de Guel Arraes são difíceis de ver quando se tem coisas que ficam martelando na cabeça a cada frase que te dizem, a cada música que toca no rádio, a cada fala que você escuta.

São muitas palavras, muitos gestos, muitas pausas... todos muito cheios de significado, de emoção, de confusão. Na ficção e na realidade.

Ou será tudo isso ilusão? Imaginação? Representação? Invenção...

Acho que talvez... esse Romance deixou minha cabeça mais bagunçada do que antes. Mas só acho.

Uma das coisas que me perguntei é se existem alguns filmes que você tem que ver com a pessoa certa (inclusive se a pessoa certa for você mesmo), se faz diferença - na realidade e na ficção. Será?

Acho que sim... ou que talvez... e tenho a impressão de que esse foi o caso.

November 17, 2008 | 9:45 PM Comments  0 comments

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fiommetta   fiommetta Renata Florentino's TIGblog
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Obama news

tinha que compartilhar, já que não vou ter foto da posse...

November 11, 2008 | 3:31 PM Comments  1 comments

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MateusFernandes   MateusFernandes Mateus Fernandes's TIGblog
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Mulher de detalhes

Àquelas pessoas que possuem, em si, o escorpião.

Mulher de detalhes.
Todos eles inimagináveis.
Branca como a lua
Alta lá no céu (forte, sob um véu).
Junto a estrelas inalcançáveis.
Distintas, embora aos milhares.

Em sete anos,
celebramos este nosso ciclo de encontros
Hora juntos, lado a lado,
hora distantes, levando a vida com cuidado.
Você hora presente.
Eu, com sorriso embasbacado.
Você hora ausente.
Eu, com lembranças do passado.

Sem pressa, com paciência.
Sem dúvida, com insistência.
Seguimos celebrando nosso ciclo.
Este foi mais um passo dado.

E o amor (ah! O amor!) está aí
Nos gestos furtivos de entrega
No olhar distante e perdido
que não nega a vontade de subir
só pra tocar mais uma vez nessa lua forte
E, com sorte, fazer mais uma estrela sorrir.

Crédito da Foto: Campanha (tosca) francesa sobre prevenção sexual

November 6, 2008 | 10:06 PM Comments  0 comments

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MateusFernandes   MateusFernandes Mateus Fernandes's TIGblog
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Amores impossíveis

Amor sem desejo,
não é amor. É carinho.
Amor sem carinho,
não é amor. É cuidado.
Amor sem cuidado,
não é amor. É histeria.

Amor sem amado,
não é amor. É sonho.
Amor sem sonho,
não é amor. É ilusão.
Amor sem história,
não é amor. É tesão.
Amor sem tesão,
não é amor. É romance.

Amor sem poesia,
não é amor. É ultrajante.

Amor sem pecado,
não é amor. É fé.
Amor sem crença,
não é amor. É heresia.

Amor sem outra chance,
não é amor. É prudência.

Amor sem loucura,
não é amor. É calmaria.
Amor sem calma,
não é amor. É fantasia.

O amor é o começo e o fim de tudo
No fim, é sempre soturno
No início, sempre absurdo

Amores são sempre possíveis.

November 5, 2008 | 12:19 PM Comments  1 comments

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MateusFernandes   MateusFernandes Mateus Fernandes's TIGblog
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Um velho e o cão
About this category: Human Rights & Equity


...Estava já moribundo o cão daquele velho homem. Em estado deplorável, já não se alimentava devidamente. Já não sorria, como por tanto tempo costumou fazer. Já não inspirava admiração nem, muito menos, simpatia. E isso não somente diante dos outros - e seus olhares invejosos e farpados. Não inspirava nada nem mesmo para si. O velho cão passava por torturantes sessões de injeções, com as sádicas promessas de lhe prolongar a vida. Punções e tubos e seringas passaram a ser cortejados como objetos de salvação e alívio. Os entusiasmados veterinários, numa condição menos desconfortável que a de um médico, prometiam que, àquela altura da vida, o cão só poderia "sofrer menos" e esperar, passiva e altivamente, a morte - que chega para todos: cães e homens.

O velho, também convalescente, aceitava. O que mais poderia esperar que não a saudável companhia de seu velho cão? A vida, entretanto, para eles, não era sobreviver. A vida havia sido - e deveria continuar sendo - mais do que a vitória sobre a morte. A vida deveria permitir que a sua condição - humana e canina - pudessem ser plenamente satisfeitas, experimentadas, testadas e, inclusive, rejeitadas: se assim fosse o desejo de cada ser. Diante dessa sensação, nada mais que uma sensação que vez ou outra atinge os velhos ou os sábios, o que poderiam eles dois fazer que não suspeitar daquelas soluções milagrosas e diabólicas que lhes prometiam mais da terra quando, na verdade, eles já esperavam por cada vez menos da terra: queriam ocupar menos espaço, sabendo da precariedade com a terra se lhes apresentava e, mais ainda, com o peso que o fardo da vida pode alcançar em idade avançada.

Definitivamente, o cão havia vivido bem. Comera e bebera do que havia de melhor - em termos caninos, é claro! Fora bem tratado e amado, durante sua longa vida de quase 15 anos humanos. Lhe bastava. Uma hora bastou. E ele pode finalmente morrer. Num nobre gesto - tão nobre quanto difícil - o velho solicitou ao veterinário que não mais lhe aplicasse as injeções e que não mais lhe fizesse as punções. Queria, enfim, passar somente mais aquelas 4 ou 5 prometidas horas de vida com seu cão, em paz, sem nada que não lhe fosse naturalmente dado e nem nada que não fosse caninamente escolhido - a dor aí incluída, obviamente. Entre lampejos de sofreguidão e amor puro e afirmativo, o cão e homem se entre-olharam e se admiraram. O cão deu seus últimos suspiros e foi-se embora, caminhando em passos lentos - condizentes com sua idade - para lugar-nenhum. Desfez-se de seu fardo e resolveu, menos por iniciativa própria que por condição canina, deixar uma lição aos homens: se escolher a vida é a mais certa de todas as liberdades, o gesto único, personalíssimo e intransferível de optar por não mais viver pode ser o maior dos libertadores. O cão, depois de vida bem vivida, teve morte bem morrida.

Em termos práticos, porém, parece ser inevitavelmente mais fácil extirpar os males que a vida traz para um cão do que para um velho. O velho seguia sua jornada de sobrevivência e pelejamento. E os médicos - agora médicos, e não mais veterinários, embora o jargão, as vestimentas, os procedimentos e a tenacidade com que investem contra a condição natural da morte que impede uma vida de sofrimento, seja invariavelmente a mesma - estavam sempre por perto para apresentar diagnósticos de uma "nova esperança" que mantinha a chama da vida do velho acessa por mais tempo. Não que este velho quisesse morrer: não tinha porque se afastar da vida, quando passou quase 70 anos em contato direto, íntimo e estreito com ela - a vida; e provavelmente sabia mais de seus caprichos que, somados, todos os novos e simpáticos médicos oncologistas. O velho sabia que sua vida - e tinha provas testemunhais que ganhariam em qualquer júri que, porventura, fosse montado para averiguar a pretensão de morte daquele homem - havia sido das mais bem vividas. Por nenhum segundo sequer, na vastidão daqueles milhões de segundos que havia partilhado dessa terra conosco, teria ele se queixado de que estaria somente "levando a vida". Seus gestos e sua conduta o dariam total aptidão para, chegado na idade da serenidade e da sapiência, escolher, novamente, como fez tantas vezes antes, o melhor caminho a seguir: ou mesmo que havia chegado a hora de interromper a caminhada.

Menos feliz que o cão, o homem não tinha ninguém que pudesse convencer seus médicos de que a coisa certa a fazer seria não mais "adiar a morte". Ninguém havia tido a coragem - e a decência - de olhar naqueles olhos fundos e gastos para saber que seu ato final, de profunda valentia, seria entregar seus órgãos e seu sangue para aquela terra que tanto lhe cultivou a saúde e a nobreza. Não podendo com os médicos - que estavam acima da política, e, portanto, acima dos homens, naqueles tempos antigos e sombrios - este homem novamente fez o que somente os sábios podem fazer: revigorou a política e ressignificou a vida e sua condição humana. Este homem, que sabia muito bem o que significa a vida e a morte, porque havia sido guerreiro e pacificador, decidiu meter-se numa jornada sem volta. Leu os últimos jornais da semana, escolheu um tema polêmico e ardiloso, montou sua barraca em frente ao palácio do governo e disse, em tom de ternura e de profunda arrogância: "Só saio daqui quando esta questão houver sido resolvida. Até lá, farei greve de fome. Não me interessa comer, se não há espaço para o diálogo e para a solução. Até mesmo a fome, para ser saciada, é atividade que depende de outros homens. Que os homens vivam e morram em mim".

Os demais homens não souberam se se tratava de um louco ou de um santo (em todo santo há um louco agindo e coagindo). Os demais homens não souberam se se tratava de um assassinato ou de um suicídio (em todo suicídio há um punhado de assassinos doces e próximos). Os demais homens não souberam se se tratava de um gesto humanitário ou egocêntrico (em todo ego há uma humanidade inteira, desconhecida ou soterrada).

O velho ficou ali por alguns dias. Numa noite estrelada, olhado nos olhos de Deus, deu seu último suspiro, levantou-se, e foi-se embora, caminhando em passos lentos - condizentes com sua idade - para lugar-nenhum. Neste lugar, que permanece somente nos recônditos do imaginário humano, estão os nomes - e não as almas - daqueles heróis que souberam escolher, e que tiveram a sorte e a nobreza de poder escolher, tanto a vida vivida quanto a vida morrida.

October 26, 2008 | 9:28 PM Comments  0 comments

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MateusFernandes   MateusFernandes Mateus Fernandes's TIGblog
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Série "É-ventos" - 8
About this category: Environment & Urbanization


Sobre o VII Encontro Verde das Américas - Dia 2

Quando 400 pessoas se encontram para tratar de temas de sustentabilidade e para pensar em soluções, espera-se que, pelo menos, o próprio encontro seja pensado, coerentemente, dentro de noção de sustentabilidade.

Tratando em miúdos: 400 pessoas gastando pelo menos 1 copo descartável a cada vez que pretendem acalmar a sede que surge na mistura entre cerrado seco e ar condicionado gelado não parece atitude ecologicamente sustentável.
Os 8 arranjos de flores em uma mesa com 8 painelistas, além de crachás, pastas e blocos de papel branco e clorado entregues para cada participante, não parecem ser economicamente sustentáveis.
A mistura desorganizada de apresentações completamente desconectadas do território dentro da qual ocorrem, confundindo soluções locais com propostas globais e tomando por pautas domésticas outras questões estrangeiras, não parece ser proposta socialmente sustentável.
Então, de qual sustentabilidade se trata nesse evento?

Há pelo menos uma noção de sustentabilidade que pode ser bastante bem apreciada neste evento: a juventude.
Se sustentabilidade está associada também ao tempo, não há muitas dúvidas de que uma platéia com muitos jovens diz alguma coisa sobre o potencial de sustentabilidade do "cuidado com o meio ambiente". Estes jovens têm, durante esses 3 dias de evento, oportunidade interessante de observar a discussão dessa área multidisciplinar da sustentabilidade. Como disse um dos palestrantes "é preciso conhecer para preservar", embora possa-se, por outro lado, dizer que também seria bom "preservar" o conhecimento dos jovens que aqui estão das demagogias, propagandas, ideologias disfarçadas e generalidades recheadas de jargão.

Pelo sim ou pelo não, vale fazer como a organização: inscrições gratuitas, muitas escolas convidadas e ilustres palestrantes, desconhecidos da "massa".

Sim, este foi mais um evento de massa, para a massa...

Poi Caxé - até outro Sol!

Crédito da Foto: Mateus Fernandes, detalhe da parede d'uma barbearia, em Xapuri/AC

October 25, 2008 | 2:44 PM Comments  0 comments

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carlinha   carlinha Carla Cristina Hirata Miyasaka's TIGblog
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ô de casa...

Com licença
quero entrar na sua cabeça,
coração e essência.

Vai... me dê licença
só preciso de uns minutinhos aí dentro
Tenha paciência
e me faça essa gentileza

Não quero te invadir
nem ser seu centro
Não quero roubar sua beleza
ou me apossar de suas riquezas

Hein, deixa?!
prometo que não vou demorar
e que terei delicadeza
Não vou te machucar

O que quero é muito simples
fácil de saber
só quero a certeza
de que ainda faço parte de você

Por favor,
preciso garantir o meu lugar
preciso que você se lembre de mim
se não...
eu vou sumindo devagar

October 23, 2008 | 12:05 PM Comments  0 comments

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MateusFernandes   MateusFernandes Mateus Fernandes's TIGblog
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Série "É-ventos" - 7

Sobre o VII Encontro Verde das Américas - Dia 1

400 pessoas estão reunidas no mais novo centro cultural do país - o Complexo Cultural da República, em plena capital federal. Logo após o encerramento do festival internacional de teatro "Cena Contemporânea", o Museu da República recebe ambientalistas e palestrantes - alguns estrangeiros - para tratarem de outros temas "culturais". Com a temática "Em busca de soluções", essas pessoas parecem discutir propostas para os desaranjos provocados por essa "cultura" capitalista ocidental mundializada.

Parecem discutir, mas não discutem realmente. Fora o fato de que os painelistas, até agora, serem grandes propagandistas - seja de discursos do "senso comum", já batidos e pouco renovadores, seja de suas próprias "soluções", implementadas em seus países ou organizações e apresentadas como "cases" - os participantes não têm-se lançado muito ao debate atual e atento.

Na primeira mesa, apenas 3 intervenções pareceu número suficiente para abordar os assuntos ali apresentados. As respostas, majoritariamente dadas pelo Ministro do STJ, Herman Benjamim, animaram o público presente: discursos evasivos embora convincentes - "Falta vontade política para aplicar e fiscalizar a aplicação das leis". Que isso seja uma solução, já sabemos. Mas, pra além do que nos falta, será que o ministro teria algo mais a dizer para a platéia?

Já na segunda mesa do primeiro dia, começamos ouvindo mais "propaganda". O que o governo da Austrália tem feito para defender as baleias? E o que isso tem a ver com a situação ambiental das américas? Muitas respostas para a primeira pergunta e nenhuma para a segunda. Nenhuma busca de soluções, pois as soluções apareciam como mágica, já prontas, como se o problema nem sequer existisse ou, o que é pior, como se o problema das baleias fosse o único, o mais importante.

Destoante, Marcos Terena chegou para falar da "visão indígena da vida". Havia sim muito de propaganda na fala do Terena - propaganda de resistência; propaganda da vida. Com pequenas soluções - como o plantio de árvores frutíferas nativas nessa cidade de muitos espaços abertos, sem sombras, de concreto; como a utilização de habitações que valorizem a natureza e a vida (com janelas, por exemplo!) - Terena recebeu alguns espontâneos aplausos da platéia, ainda adormecida pela "siesta" pós-almoço. Mas será que o velho Terena teria algo a dizer para o australiano, que representa um seleto grupo de 4 países que ousaram não assinar a Carta dos Direitos dos Povos Indígenas? Será que poderíamos, de fato, buscar soluções entre essas duas visões - a do velho chefe indígena e a do velho chefe diplomata? Será que algum dia esse debate será possível? Um dia, em algum Sol...
Como nos ensinou, ao final, Marcos Terena: Poi Caxé - até outro Sol.

Mais informações em:
Instituto Terra Mãe
Portal Brasil Ambiental

Crédito da Foto: Mateus Fernandes, Rio Branco/AC

October 22, 2008 | 12:28 PM Comments  0 comments

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MateusFernandes   MateusFernandes Mateus Fernandes's TIGblog
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Série "Fragmentos" - 10

Como o Juízo e a Compreensão acontecem na ruptura democrática.

(...)
Neste capítulo final poderemos retomar o tema do Juízo e da Compreensão para tentar lançar idéias quanto à questão que esteve, constantemente, por detrás desta investigação:
O que acontece quando as pessoas fazem política?
Assim, outras questões laterais poderão ser descortinadas e apresentadas, já sob a forma de conclusão:
O que significa política?
O que significa fazer política?
Faz-se política todo o tempo?
Há momentos de “ausência” da política na relação entre as pessoas?
Espera-se ter trilhado caminho seguro desde as primeiras intuições sobre o Juízo e a Compreensão, passando pela idéia de política, alcançando paralelos possíveis entre a política proposta por Arendt e a realização de uma democracia que se configura como ruptura para, finalmente, tratar do “acontecimento” da política.
Novamente, será uma releitura d’A Condição Humana, especificamente dos capítulos que tratam de “As esferas pública e privada” e de “A vita activa e a Era moderna”.
Espera-se, ao final, saber se é possível compreender Arendt como médica que faz um diagnóstico terrível sobre as condições da política no mundo – que não há, atualmente, condições de possibilidade para a sobrevivência da política. Se este for o caso, então caminharemos tanto para uma conclusão pessimista quanto para observações que nos permitam recriar a política.
Se, de algum modo, alcançarmos estes objetivos, poderemos então afirmar que é no diagnóstico – mesmo que pessimista – que se poderá achar alguma solução que nos permita afirmar novamente o mundo. Seria, enfim, no exercício de crítica que se poderia, desse modo, fazer a “cura” do político – num efetivo Amor Mundi.
(...)
Crédito da Foto: Carolina Mendes - em algum lugar de Buenos Aires, Argentina.

October 21, 2008 | 1:56 PM Comments  0 comments

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MateusFernandes   MateusFernandes Mateus Fernandes's TIGblog
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Série "Fragmentos" - 9

Sobre pessoas impenetráveis

(...)
Espero que compreenda que o acúmulo de atividades estas semanas facilita desentendimentos e priorizações que consomem, por vezes, relações humanas.
Infelizmente é o legado deste mundo: antes as tarefas que as pessoas.

É como se toda a minha atenção tivesse que estar voltada mais para as tarefas que meu corpo teria que realizar do que para o próprio corpo, ele mesmo.
Um disparate, claro! O cuidado de si é o único cuidado necessário e, talvez, o único possível...

Sobre a impenetrabilidade, recomendo o de sempre: seja mais forte, mais alta e mais rápida!

Seja forte para romper as barreiras que as pessoas criam.

Esteja altiva e se ponha mais acima da situação para que não caia em suas garras, que nos levam ao fundo - do poço e de nós mesmos.

Atue antes, e sempre, e tanto, que esteja atenta para porvir. Se a situação presente é sempre contingente, significa que você pode fazê-la diferente no futuro imediatamente posterior, com rapidez.
(...)

Crédito da Foto: Orlando Pedroso

October 15, 2008 | 1:02 PM Comments  0 comments

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carlinha   carlinha Carla Cristina Hirata Miyasaka's TIGblog
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uma tentativa

Estou com palavras entaladas
não sei nem em que parte do meu corpo
Sinto necessidade de escrever
- de falar nem tanto -
mas as palavras insistem
se escondem e ficam aqui
presas e me consumindo

Escuto músicas
Leio poemas
Presto atenção nas falas
vejo tudo
Na tentativa de desentalar palavras
mesmo que elas não sejam minhas

Quero falar que amo
Quero mostrar que eu odeio
Quero perguntar
Preciso escutar
não me calar

Palavras boas e ruins
indeferentes e repetidas
todas elas, dentro de mim
me fazem sumir
con.somem meus sentimentos

October 13, 2008 | 10:50 PM Comments  0 comments

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MateusFernandes   MateusFernandes Mateus Fernandes's TIGblog
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Série "É-ventos" - 6

Mutações: Identidades irreconhecíveis - 30/09

Tarefa da filosofia: diagnóstico do presente.

Biopoder: campo de incidência do poder político - a vida
. Disciplinar os corpos individuais -> torná-los disciplinados, dóceis, úteis e produtivos
. Gestão das forças produtivas da população -> regulamentos

Biopolítica é política normativa
-> Norma x Lei
. Norma: criação de um padrão (standart). Determina o normal e o desviante.
. Lei: precisa ser promulgada pelos aparelhos jurídicos.

Soberania moderna: "Deixar morrer" e "Fazer viver"
-> não é mais o poder de morte, o gladis: fórmula "Deixar viver" e "Fazer morrer"

Uma reflexão sobre as bases da máxima emancipação humana (Carta dos Direitos Humanos, p. ex.) poder servir de base para uma reflexão sobre a máxima sujeição do homem (Biopolítica).
A noção de soberania nacional presume a completa sujeição, desde o nascimento do homem, a partir de seu território (nacional), a um determinado governo.
Receber a garantia dos Direitos Fundamentais e Inalienáveis exige uma sujeição absoluta ao provedor destes direitos (o Estado-nação).
-> Novamente uma dívida eterna se instala. Há resistência possível?
-> O outro ainda é sujeito de direitos?

October 9, 2008 | 2:10 PM Comments  0 comments

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Filmes sobre Direitos Humanos - uma aventura?
About this event: 3ª MOSTRA CINEMA E DIREITOS HUMANOS NA AMÉRICA DO SUL



October 9, 2008 | 2:09 PM Comments  0 comments

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